O impacto da pandemia na saúde mental materna e comportamento das crianças na primeira infância

O impacto da pandemia na saúde mental materna e comportamento das crianças na primeira infância

Eu amo meus filhos, mas a maternidade em período de Isolamento esta me enlouquecendo! Poderia ser só a minha fala, mas conversando com tantas outras mães, vejo que essa frase virou corriqueira nos grupos de WhatsApp de mães.
No mês de março, segundo a declaração oficial da Organização Mundial da Saúde (OMS), a pandemia de coronavírus completou um ano. Nesse tempo, essa crise sanitária alterou a vida das famílias ao redor do mundo. Os pais precisaram adaptar sua rotina diária e as medidas de distanciamento social culminaram, entre outras coisas, no fechamento das escolas. Este desafio impactou diretamente o comportamento e estado emocional de todos.

Com o objetivo de avaliar indicadores de saúde mental e a adaptação de mães e crianças de 1 a 6 anos durante o período do isolamento social, o estudo “O impacto da pandemia do coronavirus e do isolamento social: Examinando indicadores de comportamento da criança e da parentalidade”, feito por pesquisadores da faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, avaliou as dinâmicas familiares na quarentena e percebeu um aumento de sintomas depressivos nas mães e mudança de comportamento das crianças.

Segundo os dados, 63% das mães tiveram sintomas depressivos durante a pandemia, 78% delas relataram sentimentos de desconforto com o coronavírus e 34% tiveram sentimentos negativos (medo, angústia, ansiedade e insegurança) durante o período. Em uma análise segmentada, detectou-se que 89% das mães que já apresentavam indícios depressivos antes da pandemia continuaram com os sintomas na quarentena e 47% das mães que não tinham sinais de depressão passaram a apresentá-los.

Em relação ao comportamento das crianças, 50% das mães relataram problemas durante o período de distanciamento social. 29% relataram que os filhos tiveram problemas de agitação, birra e bagunça e 23% sentiram desajuste à nova rotina diária.

“Os achados confirmaram o impacto negativo do isolamento social em indicadores de saúde mental materna e comportamentos das crianças durante o contexto da pandemia mesmo quando não haviam problemas pré-existentes de saúde mental materna ou infantil”, explica Maria beatriz Linhares, responsável pelo estudo ao lado de Elisa Rachel Pisani Altafim, Claudia Maria Gaspardo, Camila Regina Lotto Rebeca Cristina de Oliveira.

Home Office e o home school

Já o estudo “Vivências Das Mães Com Seus Filhos Pré-Escolares Durante A Pandemia De Covid-19: Contribuições Da Intervenção Precoce Para A Promoção Do Desenvolvimento Infantil”, teve o objetivo de analisar as vivências das mães com seus filhos durante a pandemia e os fatores associados as dificuldades maternas em lidar com o comportamento dos pequenos, e discutir o repertório de atividades das mães com seus filhos durante a pandemia de COVID-19 e as contribuições do Projeto Cuidar & Crescer (C&C).

Assim como na pesquisa anterior, os dados também mostraram que as mães apresentaram sintomas depressivos nesse período (53%). Além disso, 41% delas relataram dificuldade em lidar com os filhos durante a pandemia. As dificuldades foram atribuídas principalmente aos comportamentos externalizantes (29%) e internalizantes (26%) das crianças, à ociosidade (22%) e à desadaptação com as mudanças na rotina (20%).

A pesquisa também mostrou que no período de quarentena a maioria das mães assistia televisão com seus filhos (94%), brincavam (77%) e cantavam com seus filhos (65%). No entanto, apenas uma pequena parcela das mães lia (27%) e praticava exercícios físicos junto com os filhos (22%). Já as mães que participaram do Projeto C&C leram (40%) e cantaram (77%) mais para os filhos do que as demais.

“Observamos que a prevalência de mães com dificuldade em lidar com seus filhos durante a pandemia foi alta e mais frequente naquelas com sintomas depressivos e mais pobres. Também notamos que as atividades lúdicas que poderiam melhorar o comportamento das crianças foram menos praticadas do que exposição a programas de TV”, completa Maria Beatriz.

 Apoiados pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, materiais fazem um recorte sobre a maternidade em tempos de pandemia e mostram que o isolamento social impactou negativamente as famílias

• Estudo “O impacto da pandemia do coronavirus e do isolamento social: Examinando indicadores de comportamento da criança e da parentalidade” mostra que 63% das mães tiveram sintomas depressivos durante a pandemia, 78% delas relataram sentimentos de desconforto com o coronavírus e 34% tiveram sentimentos negativos (medo, angústia, ansiedade e insegurança) durante o período.

• Em relação ao comportamento das crianças, 50% das mães relataram problemas durante o período de distanciamento social. 29% relataram que os filhos tiveram problemas de agitação, birra e bagunça e 23% sentiram desajuste à nova rotina diária.

• Estudo “Vivências Das Mães Com Seus Filhos Pré-Escolares Durante A Pandemia De Covid-19: Contribuições Da Intervenção Precoce Para A Promoção Do Desenvolvimento Infantil” aponta que 41% das mães tiveram dificuldade em lidar com os filhos durante a pandemia, sendo que as mães com sintomas depressivos e as que recebiam Bolsa-Família relataram mais dificuldade que as demais.

• A maioria das mães assistiu televisão com seus filhos (94%), brincou (77%) e cantou com os pequenos (65%). No entanto, apenas uma pequena parcela das mães leu (27%) ou praticou exercícios físicos junto com os filhos (22%).

O estudo Vivências Das Mães Com Seus Filhos Pré-Escolares Durante A Pandemia De Covid-19: Contribuições Da Intervenção Precoce Para A Promoção Do Desenvolvimento Infantil é um trabalho realizado Claudia Regina Lindgren Alves, Isadora de Araújo Martins e Gabriela Soutto Mayor Assumpção Pinheiro, do departamento de Pediatria, Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e Camila Regina Lotto e Maria Beatriz e Martins Linhares, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP/Laboratório de Pesquisa em Prevenção de Problemas de Desenvolvimento e Comportamento da Criança (LAPREDES).

Sobre a Fundação Maria Cecilia Souto VIdigal

Desde 2007, a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal trabalha pela causa da Primeira Infância com o objetivo de impactar positivamente o desenvolvimento de crianças em seus primeiros anos de vida. As principais frentes de atuação da Fundação são a promoção da Educação Infantil de qualidade, o fortalecimento dos serviços de parentalidade, a avaliação do desenvolvimento da criança e das políticas públicas de primeira infância e a sensibilização da sociedade sobre o impacto das experiências vividas no começo da vida.

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